RockOnStage

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Epica: celebrando o que chama de "repercussão esmagadora"

São poucas as bandas com vocais femininos que passaram ilesas ou pouco abaladas às intempéries do mercado fonográfico, mas os holandeses do Epica o fizeram e debutaram a segunda década de atividades em grande estilo com o lançamento do novo álbum, ‘The Quantum Enigma’.
Para saber mais do novo disco e o atual momento vivido pela banda que fomos bater um papo com líder da banda, Mark Jansen. O músico acredita que a banda está em sua melhor fase. Confira essa conversa abaixo.

Primeiro de tudo, parabéns pelo novo álbum, ‘The Quantum Enigma’. Como tem sido a repercussão até agora?

Mark Jansen: Eu mal podia esperar para ver o álbum lançado. Mesmo com o processo de gravação e produção finalizado em janeiro, levou tempo até o novo trabalho ser lançado. Esse longo tempo de espera é sempre ruim, afinal, você quer que as pessoas possam ouvir seu novo trabalho.
Mas é preciso ter uma ordem para ter um lançamento correto do disco, então, nós todos tivemos que esperar pacientemente. Agora que o álbum foi lançado é um grande momento. Finalmente seus fãs podem curtir a música que você trabalhou com tanta paixão. A única palavra que posso encontrar em relação à repercussão do álbum é: esmagador.

Nós nunca recebemos tantas boas reações como nesse disco. Mesmo as pessoas que normalmente não curtem tanto nossa música estão gostando e nos elogiando. A repercussão em relação a nossos fãs mais antigos também está muito positiva. O que mais eu poderia pedir? Eu acredito que esse álbum une nossos mais fortes elementos do passado com alguma coisa moderna e atual.

O Epica tem sua própria identidade construída desde os primeiros discos, mas nós podemos ver uma nova faceta desde ‘Design Your Universe’, com canções mais complexas e arranjos criativos; ‘Requiem for the Indifferent’ foi a evolução natural, mas ‘The Quantum Enigma’ eleva ao próximo nível com elementos do passado em sintonia com presente. Seria o melhor momento do Epica em toda a carreira?

MJ: Com toda certeza, sim! Eu estou muito orgulhoso e feliz com ‘The Quantum Enigma’. É de fato como trazer os pontos fortes do passado aliados aos novos elementos. Isso é o melhor que poderia acontecer com a gente. Quem sabe o que o futuro irá nos trazer, mas, com certeza, é um grande passo para nós.

É correto afirmar que ‘The Quantum Enigma’ é o começo de uma nova era, uma vez que ‘Retrospect’ é o final de um ciclo de uma década.

MJ: Sim! ‘The Quantum Enigma’ é o começo de uma nova era. Com ‘Retrospect’ nós visitamos nossos dez primeiros anos e gravamos com uma grande orquestra e coral. Agora é hora de olhar para frente com um novo som e, lógico, de ótima qualidade.

O Epica sempre trabalhou com Sascha Paeth (Avantasia, Kamelot) como produtor, mas o novo disco traz à mesa Joost van der Broek (After Forever, Ayreon) produzindo. O que sua experiência trouxe ao Epica nesse ponto da carreira?

MJ: Nós poderíamos continuar com Sascha por muitos álbuns, afinal, ele é um grande produtor, mas, às vezes, você precisa mudar alguma coisa para se renovar e sair da zona de conforto. Joost nos apresentou novos caminhos de trabalho, o que casou muito bem para nós. Ele estava lá quando nós terminamos as músicas, experimentamos sons diferentes e durante todo o processo de gravação e mixagem. Aquele cara tem muita energia e foi a pessoa certa para o trabalho e nos fez elevar ao próximo nível.

“The Quantum Enigma” é o primeiro registro de estúdio com Rob van der Loo. O que ele pôde oferecer à música do Epica? Ele já trabalhou em um álbum ao vivo e excursiona com a banda há algum tempo, você acha que isso o deixou mais confortável e livre em mostrar suas influências no estúdio?

MJ: Ele escreveu três músicas e mesmo que elas não tenham entrado no disco, são ótimas músicas, especialmente ‘In all Conscience’ que eu adoro. Ele achou seu próprio lugar no Epica e tem total liberdade em trazer suas próprias ideias. Ele se arriscou e fez um grande trabalho, além disso, Rob é um grande baixista e por isso as linhas de baixo estão arrebentando ainda mais.

No final dos anos 1990 e começo dos 2000, havia inúmeras bandas com mulheres à frente, mas muitas delas não sobreviveram ao teste do tempo. O Epica conseguiu e mais, provou que não era uma banda oportunista e que os predicados para construir uma carreira de sucesso não faltavam. O que você acha disso?

MJ: Nós vemos muitas bandas indo e vindo. Muitas copiaram um som na esperança de serem bem sucedidas. Quando descobrem que não foram, tratam de copiar outro tipo de som. Esse não é o caminho certo de seguir. Você tem que fazer exatamente a música que ama e seguir seu coração. Nós nunca procuramos estilos que foram populares, nós só tentamos novos elementos quando nós os sentimos. Ainda tem muitas bandas com vocais femininos que estão indo bem e até seria estranho se não fosse o caso. Para mim é muito normal ter uma mulher como vocalista. Aliás, o importante é o fato de saber cantar bem e fazer boa música.

As mídias sociais e o desenvolvimento tecnológico quebraram as barreiras entre artista e público, como você lida essa dinâmica de relacionamento e como conseguir benefícios disso?

MJ: Nós sempre fomos uma banda que manteve contato com os fãs, então, as mídias sociais só facilitaram as coisas. No passado havia mais distância. Eu gosto mais desse jeito, transparente e aberto. E é lógico que precisa ser dosado com privacidade também.

Mais do que nunca as imagens são fundamentais para comunicar conceitos, conteúdos e mostrar e vender produtos. Dito isso, um diretor de arte que entenda e faça uma peça em perfeita sintonia com sua arte é indispensável. O quanto o trabalho de Stefan Heilemann casou e contribuiu na arte do Epica?

MJ: Stefan casou muito bem com Epica. Ele pegou as letras e algumas poucas instruções e todo resto veio dele mesmo. Ele teve muita liberdade e não nos desapontou. Pelo contrário! Stefan nos deixou chapado com a capa que fez. Ele fez um excelente trabalho e foi com algumas letras e palavras que ele soube dar sua própria interpretação para a capa do álbum.

Hoje em dia criar conceito e montar um show se tornou mais complexo, visto que os efeitos visuais, por exemplo, não são mais um diferencial como antigamente. Como lidar com essa questão, de modo que motive mais os fãs comparecerem as apresentações ao vivo e os façam desacomodar e não ficarem apenas em casa no ‘streaming’?

MJ: Acredito que nada bate o show ao vivo. A energia e a interpretação que você sente quando está num show ao vivo não é substituível. Nós sempre tentamos dar valor à presença deles, investindo no show e tentando fazer um repertório que seja de interesse dos fãs e nós nos doamos em 100% à apresentação ao vivo.

O que o Epica planeja para o futuro? Há alguma chance dos fãs brasileiros assistirem a banda em 2014?

MJ: Não em 2014, mas em 2015 com certeza. Como a Simone não pode fazer turnês longas, por causa de seu bebê, nós tivemos que dividir a turnê em duas metades. Por isso, nós iremos à America duas vezes: primeira vez para o México e Colômbia e segunda para o Brasil, Argentina e Chile.

Obrigado pelo seu tempo!

MJ: Obrigado você!!!

Fonte: Fiz essa matéria para o site Território da Música. http://www.territoriodamusica.com/rockonline/noticias/?c=36158

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Helloween & Gamma Ray – Fundição Progresso 2013



O ano de 2008 se dá ao luxo de ser relembrado, no que tange à área de entretenimento, pela passagem de grandes bandas em terras tupiniquins, como por exemplo: a volta de Ozzy Osbourne, após 13 anos longe dos palcos brasileiros; a entidade metálica, Iron Maiden, presenteando o público com a primeira parte de sua turnê Somewhere Back in Time e os alemães do Helloween com a improvável, porém muito bem sucedida, turnê com os co-patriotas do Gamma Ray, intitulada de Hellish Tour. 

Implacável a todos, o tempo passou, mas o que fora um evento único registrado no passado e nas recordações de quem lá estava ganhou um ‘revival’ no atual giro dos alemães. Com apenas duas datas em território brasileiro, Rio de Janeiro (30/11) e São Paulo (01//12), as bandas Helloween e Gamma Ray mostraram o porquê de serem, até hoje, os baluartes da cena Power Metal.

Com alguns minutos de atrasos, o Gamma Ray começou os trabalhos na capital fluminense sob os acordes da pesada “Anywhere in the Galaxy”, que logo, logo, cedeu espaço para não menos pesada e intensa, “Men, Marthians and Machines”. O carisma sempre jogou a favor do guitarrista e vocalista Kai Hansen – completa a banda Henjo Richter (guitarra), Dirk Schlächter (baixo) e Michael Ehré (bateria) – e com toda simpatia que lhe é peculiar, o ‘frontman’ conduziu toda apresentação, fazendo questão de se comunicar entre as canções e, lógico, convidar a todos à celebração do metal germânico. 

E foi com canções do teor de “Master of Confusion”, homônima ao EP; “Empathy” e “Rise” rememorando o álbum To the Metal e a trinca final com “Future World”, “To the Metal” e “Send me a Sign” que os alemães do Gamma Ray fecham, com chave de ouro, sua apresentação em terras cariocas.

Mesmo em noite chuvosa, o calor intenso não dava trégua, e se acentuou, ainda mais, com a introdução “Walls of Jericho” e os primeiros acordes do hit “Eagle Fly Free”. E foi sem pedir licença que os acordes de “Nabatea” invadem a Fundição Progresso, sendo a primeira representante do novo álbum Straight Out of Hell.

Desde metade dos anos 1990 que o Helloween é figura cativa nos palcos brasileiros, mas esse ano a banda se superou com dois giros pelo país quando da apresentação na última edição do festival Rock in Rio, onde prometeu de pé junto que voltaria no mês de novembro para uma apresentação com repertório completo. Promessa feita, promessa cumprida, com a banda fazendo alegria do público com seu Power Metal. 

Com quase 30 anos de estrada, a banda acumula repertório que agrada os entusiastas às melodias e velocidade e àqueles que não abrem mão de acentuado peso nas linhas de guitarra, baixo e bateria. Dito isso, uma mescla com canções do quilate de “Waiting for the Thunder”, “I’m Alive”, “Power”, “If I Could Fly”, “Hell Was Made in Heaven”, “Dr Stein”, “Are You Metal” e “Where The Rain Grows” caiu como uma luva e colaborou para o saldo positivo da noite.

Assim como na primeira encarnação da Hellish Tour, o ‘grand finale’ é reservado para reunião entre Kai Hansen e a atual encarnação do Helloween com Andi Deris (vocal), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo), Sascha Gerstner (guitarra) e Dani Löble (bateria). Para tal, o medley com Halloween/How Many Tears/ Heavy Metal (Is the Law) e a execução de “I Want Out” conseguiram encerrar com louvor mais esse capitulo do metal germânico em terras brasileiras.

As escorregadelas da noite ficaram por conta do desnecessário e enfadonho solo de bateria Dani Löble e os problemas técnicos com a guitarra de Sascha Gerstner, que gerou visível insatisfação e irritação do músico, levando-o abandonar o palco por diversas vezes. E é por conta dessas bolas na trave que a Hellish 2013 tira a nota 9.   
                                          

sábado, 12 de outubro de 2013

Cineasta, escritor e músico Rob Zombie faz show insano no Rock in Rio

Dezoito anos é o tempo que separa a primeira visita, na época com o célebre White Zombie, do mestre do horror, Rob Zombie, da interessantíssima apresentação do último dia 19 de setembro, Rock in Rio.

Em carreira solo desde final dos anos 1990, o ex- líder do White Zombie mostrou que o tempo só o fez aprimorar a arte de entreter, e mais, provou que não é nenhum demérito usar, ou mesmo roubar, apelos visuais que mestres do shock rock como Alice Cooper já usaram e abusaram pelos quatro cantos do globo.

Com uma carreira estruturada por bons discos e com uma banda bem afiada - formada por John 5 (guitarra), Piggy D. (baixo), Ginger Fish (bateria) - o trabalho de Zombie era de apenas conduzir a plateia aos confins de suas mais insanas e deploráveis perturbações mentais. Pontual no melhor estilo inglês, Rob abre sua apresentação, às 19:30, com a pesada “Meet the Creeper”, do celebrado álbum Hellbilly Deluxe, A desorientação musical de “Superbeast” é acompanhada por imagens perturbadoras vindas dos mais assustadores pesadelos.

“Super-Charger Heaven” e “More Human Than Human” são felizes em rememorar o período áureo do citado White Zombie. E com peculiar presença de palco e diversas trocas de figurino, Mr. Zombie conseguiu conduzir o publico com grande desenvoltura, pontuando sua apresentação pela interação e grande energia.

Nunca foi segredo que a experiência depõe a favor onde quer que seja aplicada, dito isso, a bagagem adquirida por rodar cada canto do planeta assegura ao artista reconhecer as melhores formas de atingir e conquistar seu público. Certo disso, Rob trouxe um setlist bem equilibrado, flertando ora novos clássicos como “Dead City Radio and the New Gods of Supertown” e “Mars Needs Women” ora antigos do teor de “Living Dead Girl” e “Demonoid Phenomenon”.

O desfecho veio em paralelo a dois importantes períodos da carreira de Zombie representado por “Thunder Kiss 65” e “Dragula”, mostrando aos esquecidinhos o porquê de Rob ser um dos pilares do amado e odiado shock rock.

A promessa de um breve retorno ao Brasil fora feita pelo cineasta, escritor e músico, Rob Zombie, o que vem ecoar aos freaks como agradável notícia e aos mais sensíveis como uma grande prova que um eminente apocalipse se aproxima.

Fiz a matéria pelo veículo Território da Música: http://www.territoriodamusica.com/rockinrio/?c=33550

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Metallica: Uma máquina de guerra no Rock in Rio 2013

Ao pensar nos grandes nomes que já passaram pelos palcos do hoje multi continental festival Rock in Rio, a banda californiana Metallica comporta a responsabilidade de ser um dos maiores pilares na construção do legado do festival, cuja máxima, perfeitamente atribuída, é de superação a cada edição.

Mesmo com o dia cansativo devido à maratona de shows e com o agravante de quase meia hora de atraso, o público de 85 mil pessoas estava ciente que nada menos que grandioso seria presenciado na noite do último dia 19.

Com a icônica introdução “The Ectasy of Gold (Ennio Morricone)”, a avalanche sonora dos norte-americanos tem seu pontapé com “Hit the Lights”, que não mede esforço em causar danos e seqüelas auditivas aos mais sensíveis, assim como “Master of Puppets” e seu instantâneo convite às rodas de “mosh”, que chegam como uma bomba nuclear aos mais sossegados ou aos mais cansados.



“Holier Than Thou” e “Harvester Of Sorrow” mantêm em alta a dinâmica do show; “The Day That Never Comes” é a maneira que a banda representa o álbum (“Death Magnetic”) responsável por trazer parte do brilho perdido por conta de algumas pequenas escorregadelas; “Memory Remains” cumpre a obrigação de fazer todos cantarem em uníssono seu pegajoso refrão.

O vocalista James Hetfield (vocal/guitarra) é o general dessa tropa, sendo assim, seguro em sua forma de comunicar, cantar e entreter; Lars Ulrich (bateria) passa longe de ser o supra-sumo de seu instrumento, mas consegue, de forma básica, cumprir sua responsabilidade, sendo responsável pela infantaria; Kirk Hammett (guitarra) é o guia das passagens mais complexas com solos velozes, cabendo analogia fácil à artilharia pesada do ‘front guerra’, assim como Rob Trujillo (baixo) que atua muito bem na mesma área do ‘front’. São as peças dessa máquina de guerra.

E as engrenagens que compõem tal máquina de guerra são perfeitas a ponto de não deixarem lacunas ou espaços não preenchidos, o que favorece, e muito, uma ótima dinâmica de show, com público em êxtase do primeiro ao último acorde e, lógico, os músicos satisfeitos com o feedback mais do que positivo.

Com um repertório bem estruturado, o Metallica abrangeu alguns dos muitos apogeus que vivera outrora, por exemplo: “Sad But True”, “One”, “Welcome Home (Sanitarium)”, “For Whom the Bell Tolls” e as infalíveis “Nothing Else Matters”, com seu lado mais intimista, e “Enter Sandman”, mais festivo.

Para o final, a banda reserva uma das maiores trincas do thrash metal:“Creeping Death”, “Battery” e Seek and Destroy”, colidindo com a onda sonora vinda do público em cada refrão e melodia das canções citadas.

Nas próprias palavras de James: “Nós temos prazer em estar aqui”. Arrisco afirmar que todo público teve essa mesma sensação, caro Hetfield. Então, que essa perfeita máquina de guerra possa voltar aos palcos brasileiros, com disco, repertório e palco novos, para acabar com qualquer organismo vivo que esteja a sua frente.

Nota: Fiz essa matéria para o veículo Território da Música: http://www.territoriodamusica.com/rockinrio/?c=33552

terça-feira, 21 de maio de 2013

Korzus: 30 anos de muito amor ao Heavy Metal

Ter uma carreira consolidada e bem edificada no mundo da música não é para qualquer um. A lista fica menor ainda quando a banda ou artista está beirando a terceira década de atividade, gozando da vitalidade e criatividade de iniciantes aliada à experiência dos anos na estrada.

A banda paulistana Korzus é um dos nomes do heavy metal nacional, e nela as atribuições acima recaem como uma luva. Para saber um pouco mais dos momentos marcantes nesses trintas anos de história e planos futuros que fomos bater um papo com o vocalista, Marcello Pompeu.

O álbum “Discipline of Hate”, desde seu lançamento no ano de 2010, foi e ainda é muito cortejado pela base de fãs da banda. Nesse ínterim de dois anos, o que foi possível colher com esse trabalho de estúdio?

Marcello Pompeu
: Olha, foi muito boa a repercussão do álbum, foi além do que esperávamos. O público gostou, a mídia gostou e elevou a banda para um grau acima, então, nós só temos a agradecer por esse sucesso.

Em meados anos 1980 o Korzus já era, sem dúvida, um nome muito importante para a cena metálica nacional. Mas foi nos anos 1990 que a banda cravou a ferro quente seu nome na história da música pesada brasileira com os discos “Mass Illusion” (1991) e “KZS” (1995). Entretanto, “Discipline of Hate” parece elevar, ainda mais, o padrão da banda. E seria exagero taxá-lo como o melhor álbum da banda?

MP
: O melhor eu não acho, porque discos são como filhos, como você pode gostar mais de um do que de outro? Eu, particularmente, gosto de todos, mas tenho um pé atrás com o disco “Sonho Maníaco” por causa da força que contém nele e que não me agrada nesse momento da minha vida. Em relação ao “Discipline”, talvez sua maior importância foi reafirmar o Korzus após a saída do Silvio, já que ele era um cara muito importante e considerado na cena. Sua saída poderia deixar a banda fraca, porém, o “Discipline” pôs um ponto final nisso e essa mudança de formação passou quase despercebida perante a força do disco.

O primeiro registro de estúdio do guitarrista Antônio Araujo (ex-ChaosSphere) foi justamente o “Discipline of Hate”. O que ele pôde agregar à identidade sonora do Korzus? Houve certa pressão em estúdio por estar com integrante novo e com a responsabilidade de superar o álbum anterior, “Ties of Blood”?

MP:
No começo, ele teve um tempo para se adaptar ao nosso som, à nossa filosofia e entender como as coisas funcionam aqui. Passado isso, era como se ele estivesse a vida toda com a gente. Ele trabalhou de uma forma convincente, como um verdadeiro membro da família Korzus, compondo, escrevendo e, o principal de tudo, vivendo a vida da banda como nós. Pressão? Acho que só nos testes que ele fez para entrar na banda.

O guitarrista Silvio Golfetti foi substituído, no ano de 2007, por complicações em seu braço esquerdo, cedendo, oficialmente, seu posto no ano seguinte. Qual o envolvimento de Silvio com a banda hoje em dia?

MP:
Ele não é mais membro da banda. Ele colabora no que é possível se precisarmos dele para compor algo e a agenda dele bater, pois nossa amizade, nossa história juntos, somam mais de 25 anos. Penso que o Silvio, em termos artísticos, é um grande colaborador, caso a banda necessite, e nossa ligação é eterna e, como todos sabem, a maioria dos fonogramas pertencentes à banda estão sendo relançados pela Voice Music (gravadora do Silvio), ou seja, ele é um grande parceiro que torce pela banda e nós torcemos por ele também.

Em 2010, vocês assinaram com a gravadora alemã, AFM Records. Como se deu esse encontro entre vocês? Foi um porta aberta para futuras excursões pelo velho continente?

MP:
Sim, a AFM nos abriu o mercado europeu e nossa parceria começou um ano antes do lançamento do “Discipline”. Na real, nós nem tínhamos o disco composto quando veio um de seus gerentes artísticos pro Brasil para nos ver no palco, e depois disso começaram as negociações normais até o fechamento do contrato e o lançamento do disco. As coisas vão bem por lá, então, logo mais, colocaremos um novo CD para nossos fãs pelo mundo e, certamente, a AFM fará a distribuição fora das Américas.

A tradicional marca de bebida destilada alemã, Jägermeister, tem relação muito próxima do mundo da música, mas especificamente ao heavy metal, apoiando nomes como: Slayer, Behemoth e Epica. O Korzus é a primeira Jägerband brasileira. Como chegaram nessa parceria? O apoio da marca se limita a ações promocionais como seção de fotos ou há incentivos mais incisivos como apoio a turnês internacionais?

MP:
Temos um apoio muito bom com eles, além das campanhas promocionais. Para nós, eles foram fundamentais no andamento de nossas carreiras e também é uma honra fazer parte desse seleto time e só temos a agradecê-los por todo apoio na campanha do “Discipline”, eles foram muito importantes nas nossas conquistas.

Comemorar 30 anos de carreira não é para qualquer um, não. E no ano que vem vocês chegam a essa marca. Vocês planejam algo especial para celebrar a data? Há planos de lançar um Box comemorativo, rememorando o passado da banda?

MP:
Sim! Em outubro se dá o aniversário, e até lá será anunciada toda a festividade. Os relançamentos já começaram, haverá novo álbum, DVD e uma turnê de 30 anos já esta sendo projetada, e com certeza até virar o ano muito mais informações sobre nossos 30 anos será divulgada.

O álbum KZS foi relançado em versão digipack com inúmeros bônus tracks. Existe a possibilidades de os demais discos receberem o mesmo tratamento? Ou possíveis versões em vinil?

MP
: Sim, você verá logo mais, e lembre-se que estamos em festa de 30 anos.

Vocês tocaram em parceria com Punk Metal Allstars na última edição do festival Rock in Rio. Vocês poderiam compartilhar com a gente o que representou aquele dia na carreira do Korzus?

MP
: Foi uma grande conquista para o Korzus fazer parte da historia do Rock in Rio e é algo que será marcado para sempre no metal nacional, além de ter sido um show contagiante e com o publico nos apoiando insanamente. Para nós foi inesquecível, e esperamos que tenha sido para quem estava lá também.

Em contrapartida ao sucesso do festival Rock in Rio, a banda estava também no fatídico festival Metal Open Air que fora uma das coisas mais mal arranjadas na história do rock/metal brasileiro. E coube a vocês a tarefa de “encerrar” o festival. O que extrair de uma experiência tão, digamos, desagradável?

MP:
Sinceramente, o nosso show foi maravilhoso e os bangers amaram, mas ficamos tristes pelas pessoas que sofreram por lá. Quanto à debandada das bandas gringas, eu quero que se fodam, porque sei que teve gente com não sei quantos mil dólares no bolso que implicaram com camarim e caixa de guitarra e, nem ao menos, pensaram nas pessoas que lá estavam. Teve banda que não queria respirar o mesmo ar que o Korzus ou outros brasileiros respirariam com medo sei lá do que. Bando de filhos da puta! É fato que rolou muita cagada da produção, mas o pior que ninguém enquadrou essas bandas que receberam muita, muita grana, para ir até lá, resultando num evento beirando ao circense com nosso amado metal na bandeira. Então, a lição que fica a todos nós, headbangers, é que não podemos mais tolerar produtores gananciosos e nem bandas gringas com o rei na barriga. Eu quero aproveitar para parabenizar as bandas que tocaram tendo recebido ou não, pois sei que fizeram em nome do metal para os headbangers que estavam lá.

O Korzus sempre foi uma banda acessível aos fãs, passando longe da vaidade que alguns músicos teimam manter. Gostaria que vocês comentassem essa proximidade e relação em pé de igualdade e respeito que vocês mantêm com os fãs.

MP:
Cara, isso não tem fórmula, não se combina, isso tem que ser natural e fazer parte da sua vida, do seu jeito, do seu caráter. Nós somos assim e morreremos assim. É nossa filosofia, nada contra os outros, mas o Korzus é uma banda feita por headbangers que toca para headbangers, então, presumimos que a única diferença é que subimos no palco, porque no resto somos todos iguais, nem melhor nem pior.

O mundo da música é cíclico e, nesse giro, voltou com mais força ao mercado o formato ‘single’. Vocês lançaram, no ano passado, a canção “I Am Your God” nesse molde. Foi uma ação pontual para promover o nome Korzus, visto que foi na véspera da apresentação no Rock in Rio? Há chance de lançamento de novos ‘singles’ a fim de dar um gostinho do que está por vir?

MP:
Sim, claro, o novo CD está chegando...

A banda parece viver o seu melhor momento da carreira. Estou certo?

MP:
Acho que nossa experiencia, nosso formato e nossa filosofia a serviço do metal são os pontos que nos destacam dos outros. Tenho falado com outras bandas e vejo um grande futuro para o metal brasileiro, porque todos estão virando guerreiros de verdade sob uma única bandeira que é o metal brasileiro, e nosso futuro será brilhante, pode esperar que verás.

Nota: Fiz a matéria pelo veículo Territtório da Música:  http://www.territoriodamusica.com/noticias/?c=32237

segunda-feira, 4 de março de 2013

Lacuna Coil - Dark Adrenaline Tour - Rio de Janeiro


Depois de uma fantástica estreia em palcos brasileiros quando da divulgação do álbum Shallow Life, em 2010, e a comemoração dos 20 anos da produtora Liberation no ano passado, a banda italiana, Lacuna Coil, estava devendo uma visita com uma programação mais estendida, visto que nas duas primeiras visitas a banda só passara pela cidade de São Paulo. Dessa vez, a Liberation alocou, sabiamente, três apresentações em território brasileiro – Rio de Janeiro (01/03); São Paulo (02/03) e Porto Alegre (03/03) -, garantindo a alegria do público que ansiava pela apresentação dos italianos. 

A noite chuvosa na capital carioca começou com os acordes da banda, Painside, que defendeu bem seu heavy metal tradicional que vez ou outra flerta com sotaque thrash. A banda tem todo potencial para se firmar como um nome forte na cena metálica nacional, mas para tal se faz necessário aparar algumas arestas e trazer à banda uma postura mais profissional em sua apresentação, evitando a desarmonia aonde alguns integrantes falam em demasia entre as canções e ao mesmo tempo. Todavia, há potencial e vislumbra grande oportunidade de dar passos largos na carreira.


Já passava das 23h30min quando o ‘headliner’ da noite deu o ar da graça e marcaria, em grande estilo, sua estreia em território fluminense. Sob o peculiar peso de “I Don’t Believe in Tomorrow” já se denotava que a noite seria pautada pela pujança das canções; carisma dos músicos e por um público ávido à obra dos italianos. Com clima nas alturas, “I Won’t Tell You” e “Kill the Light” vieram atear ainda mais fogo à pista do Circo Voador e alardear que a carreira da banda é, sim, alicerçada e sobreposta por uma discografia vigorosa, rechaçando equivocadas ideias aonde se apregoa, erroneamente, superficialidade em suas obras.

Com a simpatia que lhe é característica, o vocalista Andrea Ferro – completa a banda Cristina Scabbia (vocal); Cristiano ‘Pizza’ Migliore (guitarra); Marco Emanuele Biazzi (guitarra); Ryan Blake Folden (bateria) e Marco Coti Zelati (baixo) – fez as honras da casa e anunciou “Self Deception”, a primeira representante do álbum, Comalies, que marcou o passaporte e garantiu visto de permanência da banda em território norte americano. E é impossível não associar a palavra simpatia à pessoa da vocalista Cristina Scabbia, que se porta como uma verdadeira ‘frontwoman’, relegando ao limbo a vaidade e afetações que tanto permeiam o universo artístico. Perdoem-me os mais ortodoxos, mas faz valer a criação de uma caricata justaposição: uma pequena grande artista.

Assim como a já citada “Self Deception”, “Heaven’s a Lie” e “Swamped” trazem à tona o reconhecido e aprovado álbum de 2002, o que afiançou alguns dos maiores momentos da noite. “Fragile” e “To The Edge” rememoram o disco Karmacode, bem como “Senzafine” o álbum Unleashed Memories. 


De certo não era uma surpresa, uma vez que fora noticiado aos quatro ventos a apresentação do set acústico na perna latino-americana da turnê, sendo assim, quem nunca se afeiçoou ao formato pôde sair para comprar uma gelada e ou respirar ar puro fora da tenda do Circo, mas àqueles que não arredaram o pé da pista foram presenteados com o momento mais intimista da noite, extasiando-se com interpretações de canções do teor de “Falling Again”; “Closer” e Within Me.

No terceiro ato da noite, e de volta ao formato elétrico, a dobradinha “Our Truth” e “Upsidedown” retomam o peso e, lógico, a ambiência perfeita para um show de heavy metal. Ainda que a banda tivesse um tanto cansada, visto que fora direto do aeroporto para casa de show se apresentar e por conta de sua apertada agenda, não fora motivo para transparecer, perder o pique da apresentação ou mesmo fazer corpo mole, o que pôde ser constatado em “Survive” e “Trip of Darkness”. 
  
“Intoxicated” trouxe à mesa ácida crítica às pessoas que têm o péssimo habito sobrepujar o próximo a qualquer preço. Fato não raro nos dias de hoje, infelizmente. Visivelmente emocionada e satisfeita com o feedback do público, a senhorita Scabbia pede a participação de todos na última canção da noite, e o ‘gran finale’ é sob as melodias e versos de “Spellbound”. 

“Estávamos no camarim nos trocando para ir embora e ouvimos vocês nos gritando”, exclama Cristina. E não precisava ser nenhum gênio para deduzir o desejo dos fãs, afinal, o público já tinha amargado tempo demais na sala de espera para conferir o show dos italianos. Com isso, a canção, “My Spirit”, veio com a responsabilidade de colocar o ponto final na noite e homenagear o baixista/vocalista, Peter Steele (Type o Negative). 

As escorregadelas do dia ficaram por conta da ausência do baixista, Marco Coti Zelati. E por questões pessoais o baterista, Cristiano Mozzati, não está participando dessa perna da turnê, sendo substituído pelo citado Ryan Blake Folden (ex- The Agony Scene). Todavia, a estreia em território fluminense não poderia ser em melhor forma, e como promessa feita tem que ser cumprida, então, não demorará muito para um retorno aos palcos cariocas, visto que a bela vocalista jurou de pé junto que voltará muito em breve.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Marillion: A medida certa entre o Progressivo e o Pop



A banda britânica Marillion é o que podemos chamar de feliz em sua longa e prolífica carreira, afinal, sua longevidade se deu pelas produções dentro do estúdio; qualidade de suas apresentações ao vivo, expondo da melhor forma possível o resultado alcançado nos estúdios de gravação e uma pela relação íntima, honesta e direta com a base de fãs. Nessas linhas pode parecer algo fácil e simples de se atingir, mas na hora do vamos ver, ou melhor, na hora do vamos fazer são poucos que atingem o nível de excelência desses britânicos. 


E esse nível de excelência os brasileiros tiveram a oportunidade de prestigiar, e porque não, estreitar as relações com a banda nos anos de 1990, 1992 e 1997, com as turnês dos álbuns Seasons End, Holidays in Eden e This Strange Engine, respectivamente. Depois disso, foram exatos quinze anos de espera para que os músicos voltassem a dar as caras nos palcos brasileiros. E parece que orações do público funcionaram muito bem, porque a banda trouxe ao país o melhor do rock progressivo com datas em São Paulo (11), Rio de Janeiro (13) e Porto Alegre (14). E nós, lógico, fomos conferir a passagem da banda pela cidade maravilhosa. 

A apresentação no Vivo Rio começou em alta com “Splintering Heart”, que é umas das melhores canções da segunda encarnação da banda, aonde os vocais são conduzidos pelo ótimo frontman Steve Hogarth. “Slainte Mhath” flerta com peso pulsante e momentos de, digamos, calmaria, sendo mais do que bem recebida pelo público. Com muita educação e boas doses de humor, o vocalista da às boas vindas a todos e se retrata por estar a tanto tempo longe dos palcos cariocas. O pedido de desculpas foi desnecessário, afinal, ele veio na forma de canções do quilate de “You’re Gone”.

A apresentação dos britânicos foi algo muito parecido como um best of, pois, foram uma sucessão de novos e antigos clássicos da banda. O público mais saudosista que nutre certa preferência pelo primeiro vocalista, Fish, se deslumbrou com os acordes de “Kayleigh” e Lavender – ambas do álbum Misplaced Childhood. Outros que são adeptos a atual formação se extasiaram com “Beautiful”, “The Great Escape” e “Afraid of Sunlight. 

E não pense que a banda fica revirando o passado para fazer o presente, porque o novo registro de estúdio, “Sounds That Can’t Be Made” foi muito bem aceito na encarnação da música homônima ao disco e “Power”. O álbum mais representado da noite foi o conceitual Marbles, pois, dele veio a já citada “You’re Gone”, “Fantastic Place”, “Neverland” e “The Invisible Man”. 


Para o bis, a banda atacou com uma das mais pedidas da noite, “Easter”. Incrível o poder que uma canção pode exercer sobre uma platéia, porque a música foi acompanhada pelo público em cada melodia e verso. “Sugar Mice” fecha com chave de ouro a noite que ficará marcada nos corações de todos os presentes, afinal, era no palco um dos maiores representantes do rock progressivo. Espero que não precisemos esperar mais quinze anos para ter uma noite mágica como essa do último dia 13.