RockOnStage

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Para o guitarrista Wolf Hoffmann, Accept vive ótima fase

O Accept está na ativa desde o final dos anos 60, quando ainda atendia pelo nome de Band X. Desde então o grupo passou por diversas mudanças de formação.

São o guitarrista Wolf Hoffmann e o baixista Peter Baltes que seguram as pontas desde 1976 e foi com o primeiro que conversamos sobre a repercussão do mais recente disco, “Blind Rage”, e sobre a nova fase, com Mark Tornillo nos vocais, que é tido como 'o cara certo' para a banda.

Hoffmann falou sobre a importância dos fãs para o sucesso do Accept e também sobre a apresentação que a banda fez no Monsters of Rock no final do mês passado - a quarta com a nova formação, com Uwe Lulis (guitarra) e Christopher Williams (bateria), considerada “inesquecível” pelo músico.

Faz um tempo desde que o álbum “Blind Rage” foi lançado, como tem sido o o retorno até agora?

Wolf Hoffmann: O lançamento foi em agosto de 2014 e a reação tem sido muito acima do que esperávamos. Estreou na primeira posição nas paradas de venda alemã e a maior surpresa ficou por conta do primeiro lugar também nas paradas de venda finlandesas. Além disso, essa é a primeira vez que alcançamos a posição de número um no ranking de vendas. Com “Blind Rage”, nós estamos nas paradas de muitos países e com shows lotados. Para nós isso é missão é cumprida! Obrigado a todos os fãs.

Os últimos três discos foram produzidos por Andy Sneap, produtor conhecido por trabalhar com bandas pesadas como Arch Enemy e Nevermore. O que Andy adicionou à música do Accept?

WH: Ninguém pode impulsionar Peter e eu mais do que nós mesmo, mas a coisa mais importante de Andy é que ele tem o coração de um músico e nós nos conectamos com ele. Eu chamaria isso de uma cooperação saudável.

O Accept tem lançado grandes álbuns desde começo dos anos 1980. E o Accept do século XXI parece ainda mais energético do que uma banda que ainda precisa provar seu valor. Qual o combustível para manter a chama da banda acesa?

WH: Só existe um principal combustível para nós: Nossos fãs! Quando nós nos reunimos, em 2010, ninguém poderia prever a reação, ninguém! O mundo da música tinha mudado, os fãs do Accept colocaram a banda nos eixos, o que nos encaminhou ao centro das atenções, não ao topo, mas muito acima de grandes bandas. Então, tudo que nós temos e somos capazes de dar vem do mesmo lugar: nossos fãs. Em cada show, Peter e eu nos olhamos e dizemos: Isso é realmente de verdade? E pensamos também: Vamos retornar o favor e mostrar que ainda não acabamos, há mais por vir...Vamos curtir juntos!

Cada vocalista foi importante para o desenvolvimento da banda, mas agora com Mark Tornillo podemos ver o raro caso no qual o cantor substituto brilha ainda mais que o cantor original...

WH: Mark chegou a nossas vidas de forma inesperada e totalmente desconhecida, como um tipo de intervenção do alto. Sua voz é a voz que precisamos nesse ponto de nossas vidas. E eu acredito, como ninguém, que ele entende seu papel, sabe o que nós estamos fazendo e o que é Accept, ele cabe perfeitamente na nossa visão. Nós não comparamos, porque respeitamos quando um fã tem uma opinião diferente sobre quem é quem. Mas para me fazer 100% entendido: nesse momento, Mark Tornillo é a pessoa certa para nós e desde 2010 até o dia de hoje a grande maioria dos fãs, em todo mundo, está com a gente.

Ele é o cara certo para estar com a gente agora. As músicas que escrevemos agora e as músicas que escrevemos no passado ganham complemento na voz de Mark, o que outro vocalista, em outra época, provou não ser o cara certo.

Recentemente tivemos a notícia que o baterista Stefan Schwarzmann e o guitarrista Herman Frank saíram da banda. O que você acha que os motivou a sair da banda? Até onde podíamos ver tudo estava bem...

WH: Herman e Stefan são profissionais e trabalharam duro por nós durante muitas décadas. Lembre-se que na época em que a banda voltou, nós dificilmente podíamos pedir a alguém para largar o que fazia para nos atender. Nada nos fazia acreditar que excursionaríamos novamente, o que é mais fácil de encarar para uns do que para outros. Foi mais ou menos assim: vamos ver quão longe nós vamos e mantemos nossos trabalhos regulares. Herman e Stefan agarraram a chance de fazer, mas o que eles queriam há muito tempo era ter a banda deles. Nós todos os apoiamos, especialmente porque eles nos deram prioridade número um nos últimos anos. Não é a questão de como era ou parecia ser, eles saíram e isso era o que eles queriam fazer para vida deles.

Como era seu relacionamento com Herman e Stefan? Você escutou a nova banda deles, Panzer?

WH: Você tem olhar isso pelo angulo certo. O Accept não tem trabalhado nos últimos 15 anos. Por isso, Herman e Stefan trabalharam em suas carreiras e em muitas bandas. Quando nós voltamos, em 2010, tivemos a sorte de ambos não terem compromissos, o que teria atrapalhado nossa reunião para turnê que realizamos. E desde então eles foram convidados de turnê a turnê, o que faz sentido porque, como eu mencionei anteriormente, ninguém poderia prever o que aconteceria com o Accept. Ou seja, todo mundo ficou livre para ficar conosco o quanto queria. Nós todos sabíamos e estávamos de acordo com isso.

Todos sabem que faz mais de três décadas que Peter e eu estamos juntando forças, o que é algo que nós amamos, ao invés de ficarmos presos com outros músicos – nós somos abertos e temos as pessoas certas para apoiar o Accept em cada época. Foi de uma forma incomum, e para alguns ainda é, quando se trata de heavy metal, mas acontece sempre com muitas bandas.

Olhando a história das grandes bandas, você vai encontrar diferentes formações. Eu acredito que não exista banda nesse planeta que está com a mesma formação desde o começo. Música não deveria ser definida por quais rostos estão lá para serem vistos, ela deveria ser definida por como é a química de trabalho para criar grandes canções.

Herman e Stefan nos deram mais de quarto anos de suas vidas, mas eles não nos deram seus sonhos. Herman é um ótimo guitarrista e eles estão, agora, em um perfeito “casamento”, com o Schmier do Destruction. A música deles é boa e se a química tem algum sentido, eles devem estar felizes juntos. E é isso que conta na vida, na minha humilde opinião.

O Accept acabou de anunciar a entrada do guitarrista Uwe Lulis e do baterista Christopher Williams. Eles são membros permanentes da banda ou estão preenchendo a lacuna para atual turnê? E como está indo o trabalho com os dois?

WH: Está indo como o esperado: ótimo! O que é permanente em nossa linha de trabalho? Pouquíssimos têm a sorte de ter algo permanente em suas carreiras. Peter e eu somos o coração do Accept e somos os únicos, os dois cavalos que estão puxando a carroça há tempos tanto musicalmente quanto em performance.

Nós montamos o Accept quando tínhamos 16 anos de idade, não se esqueça! Mas, lógico, que nós nunca pudemos e poderemos fazer isso sozinho, então, quanto melhor nosso companheiro de banda for, melhor nós seremos também. Há tanta coisa que rola entre músicos, sendo que o essencial são as apresentações ao vivo nos colocarem juntos, ao mesmo tempo, e é isso que tem acontecido.

Vocês fizeram um show matador no festival Monsters of Rock, com os dois novos músicos, e podemos dizer que foi um show perfeito. Vocês esperavam essa reação dos fãs brasileiros?

WH: Nós amamos tocar no Brasil! A gente estava olhando para frente como criança em dia de festa de aniversário... Nós estávamos muito felizes. Nós sempre vivemos pela reação dos fãs e quando os fãs reagem daquela forma nós ficamos muito felizes. Nada nos dá mais energia que os fãs. E não se esqueça que esse foi 4º show com os dois novos caras, sim, nós já os conhecíamos e ensaiamos, mas tudo muda quando você está no palco junto, e eu acho que eles se saíram muito bem. É justo dizer também que Mark Tornillo deu seu melhor no show e Peter e eu estávamos no céu. Obrigado Monsters of Rock! Foi um evento inesquecível para nós.

Se você tivesse que escolher apenas um álbum para mostrar a uma pessoa o que é o Accept, qual seria e porquê?

WH: Escolho o álbum “Accept”. Entretanto, cada disco representa certa época de nossa vida e depende o que você quer mostrar sobre o Accept. No começo dos anos 1980 nós abrimos as portas para todo o Speed e por décadas você tem várias fases. E hoje temos o que temos com o Accept, fazendo tudo com uma devoção sem fim para ser melhor a cada dia.

O que virá agora? Disco de estúdio? Super double DVD ao vivo? Férias?

WH: Peter e eu sempre nos sentimos: “Nós estamos em permanente férias!” Nosso mais recente disco, “Blind Rage” (o terceiro em menos de cinco anos), foi primeiro lugar em vendas na Alemanha e Finlândia e nas paradas de vendas em outros países. Nós tivemos, com os últimos três discos, no Reader Charts, e com os dois últimos ao mesmo tempo. Além disso, nós precisamos de um disco que bata isso tudo, nós trabalhamos duro e esperamos que o 'compositor' que está em nós nos presenteie de novo.

Nota: Fiz essa matéria para o site: http://www.territoriodamusica.com/noticias/?c=39202
Foto: Lauro Capellari / TDMusica

terça-feira, 7 de abril de 2015

Epica & DragonForce: Farra e trilha de primeira no Rio de Janeiro



Poucas coisas conseguem ser melhores do que a combinação de uma noite de sexta-feira, começo de mês com salário na mão, amigos e ótimos shows como trilha sonora da diversão, e foi dessa forma que o público carioca pôde saborear a noite da última sexta (06) quando o duo DragonForce e Epica garantiram a farra e o soundtrack de primeira.

O esquenta da noite ficou por conta da banda convidada, os ingleses do DragonForce portando o estandarte de seu intenso e ultra veloz power metal. Por ser o ‘opening act’ da noite, a banda fora obrigada abreviar boa parte de seu repertório, mas sua breve estada no palco foi festejada e saudada pelos cariocas durante toda a apresentação. 

Sabiamente, a banda – Marc Hudson (vocal); Herman Li (guitarra); Sam Totman (guitarra); Frédéric Leclercq (baixo); Gee Anzalone (bateria) e Vadim Pruzhanov (teclado) – se dispôs apresentar o mais recente álbum de estúdio, ‘Maximum Overload, intercalando com temas mais antigos, assim, canções do teor de “The Game” e “Symphony of the Night” encontraram perfeita sintonia em “Valley of the Dammed” e “Through the Fire and Flames”. 

O porém – que também persistiu no espetáculo da atração principal – da apresentação dos ingleses foi reservado aos momentos que a equalização sonora cismava embolar a massa sonora que chegava ao público, o que dificultava o entendimento e, lógico, apreciação da canção.  


 

Nem parece que já se passaram mais de uma década desde o lançamento do primeiro álbum dos holandeses do Epica, e foi nesse ínterim que, inteligentemente, a banda soube lapidar sua arte, absorvendo novas influências, mas mantenho sua identidade reconhecível para si mesma e, claro, para seu cativo público, que fez – e faz – questão prestigiar todos os seus feitos e sucessos. 

A atração principal da festa da última sexta-feira deu pontapé com “The Second Stone” e sem direito a respiro e/ou gole d’água que “The Essence of Silence” mostrou que o peso e uma banda bem afiada seriam o tom da noite. 


O atual Epica respira vitalidade e o brilho nos olhos é mais intenso desde entrada de Isaac Delahaye (guitarra e vocal); Ariën van Weesenbeek (bateria) e Rob van Der Loo (baixo) – completa a banda os veteranos Mark Jansen (guitarra e vocal); Simone Simons (vocal) e Coen Jassen (teclado) –, o que é, facilmente, perceptível nas apresentações ao vivo aonde ganharam acentuado peso, técnica e um quê a mais de: estamos nos divertindo a valer e estamos compartilhando isso com vocês, fãs.

Em quase duas horas de show, a banda conduziu, com maestria e elegância, o público ao supra-sumo de sua carreira, mesclando temas dos primórdios aos mais atuais, o que garantiu um ótimo equilíbrio à apresentação.

Citar essa ou aquela canção como destaque seria covardia, visto o aprumo da performance dos holandeses, com isso, temas como “Unleashed”; “Sensorium”; “Cry for the Moon”; “The Last Crusade”; “Sancta Terra”; “Unchain Utopia” e “Consign to Oblivion” tiveram suas respectivas relevâncias para o saldo positivo da festança.  

Nada melhor que começar o final de semana com o pé direito, e graças às bandas DragonForce e Epica, o público carioca não pôde reclamar, afinal, ambas as bandas presentearam seus respectivos fãs com uma grande e excepcional festa. 


 

Fotos: Alessandra Tolc

Nota: Matéria realizada para o site Whiplash -  http://whiplash.net/materias/shows/219858-epica.html

terça-feira, 24 de março de 2015

Arch Enemt - War Eternal Tour



Inovar, transformar, renovar, mudar... Muitos são os verbos que sugerem ação de desenvolvimento que é uma das forças naturais constantes exercidas sobre tudo e todos, mesmo que a priori tal força seja mal quista, e talvez até imperceptível, é inevitável sua atuação e, consequentemente, seu efeito. 


É sob a força constante de desenvolvimento que a banda sueca, Arch Enemy, pavimenta sua carreira e, lógico, aumenta e conquista legiões de adeptos a sua arte, o que fora fácil, fácil, comprovado no último dia 06, em sua primeira passagem na capital fluminense, quando o lendário Circo Voador viu suas estruturas estremecerem diante da desgraceira vinda dos PA’s. 

Mas antes do apocalipse sueco transformar a tenda do Circo num prazeroso purgatório, o primeiro ato da noite ficou por conta da banda carioca, Melyra, onde seu bem vindo heavy tradicional temperado com boas doses do supra-sumo do hard rock, ganhou espaço e merecida adulação por parte do público. Canções do EP, Catch me If You Can, como “Beyond Good and Evil”; “Nightmare #1”; “Silence” e “Trip to Hell” dão perspectivas animadoras à banda, o que a pode reservar um futuro otimista e próspero.

O segundo e último ato da noite foi sob a regência do caos sonoro que atende também pelo epíteto de Arch Enemy. Em débito com o público carioca, a banda se retratou com uma apresentação pautada pelos irrepreensíveis predicados de sua música e, lógico, pelo brilhantismo individual dos seus músicos.

 


“Enemy Within” é o pontapé em noite de ode ao heavy metal da morte, e foi sem tempo para respirar ou mesmo vislumbrar um breve raio de luz em meio ao inferno instrumental que a canção homônima ao novo álbum,“War Eternal”, ganha os falantes e profere a essência que se manteria por toda apresentação da banda.

O fundamento da afirmação inovação, renovação e mudança vêm, primeiramente, alicerçada pela genialidade do maestro da morte, Michael Amott (guitarra), e consequentemente por suas decisões, pois congregar seu talento ao de Alissa White-Gluz (vocal) trouxe energia extra ao que já era estabelecido como ótimo. 

Como não bastasse, a inovação veio também sob a extraordinária habilidade de um dos mais importantes guitarristas da atualidade, Jeff Loomis (ex-Nevermore) – completa a banda Sharlee D’Angelo (baixo) e Daniel Erlandsson (bateria) –, onde sua experiência e técnica fazem da banda uma máquina que vocifera riffs e solos capazes de gerar uma avalanche sonora de proporção devastadora.  

“No More Regrets”; “My Apocalipse”; “Dead Eyes See No Future”; Dead Bury Their Dead”; “We Will Rise” e “Nemesis” são alguns dos temas que reclamam o direito de serem taxadas como clássicas do metal da morte e foram responsáveis pelo hecatombe em forma de urros, gritos, mosh pits, punhos cerrados ao ar... 

Os céticos indagariam o motivo para tanta bajulação, entretanto, só quem saiu de casa e foi presenciar o maravilhoso purgatório musical proporcionado pelos suecos consegue mensurar o prazer de ver uma banda já estabelecida, mas que mantém o sangue nos olhos de quem tem que provar seu valor e/ou talento ao mundo. E, para o prazer de seu fiel público, o Arch Enemy é assim.     

Nota: Realizei a cobertura para o site Whiplash: http://whiplash.net/materias/shows/218376-archenemy.html

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Within Temptation – Let Us Burn Rio de Janeiro



Ser um crítico e ter como tarefa avaliar, profissionalmente, arte, seja qual for sua manifestação, é algo que exige acuracidade cirúrgica na composição da avaliação e, consequentemente, na escolha do teor dos predicados que servirão como a exaltação ou depreciação de tal manifestação artística. 

Dito isso e com total exatidão na afirmação, o predicado que melhor define e traz à essência da apresentação da banda holandesa, Within Temptation, no último sábado na capital fluminense, atende por sublime. 

Para muitos pode se valer de uma afirmação com a fragilidade de cristal e efêmera como muitas das notícias do dia a dia, mas o predicado recai como uma luva para a arte apresentada pela carismática e bela Sharon den Adel e seus asseclas – Ruud Jolie (guitarra); Stefan Helleblad (guitarra); Martijn Spierenburg (teclado); Jeroen van Veen (baixo) e Mike Coolen (bateria) – em noite de tenda cheia no Circo Voador. 

Divulgando seu mais recente álbum de estúdio, Hydra (2014), a banda mostrou o supra-sumo do velho Within Temptation com canções de sotaque operísticos e o novo onde a linguagem ganha fortes contornos de música pop. 

Com uma performance de dar inveja a muitos colegas de trabalho, os holandeses desfilaram temas como Faster; Let Us Burn; Stand My Ground; Mother Earth; Ice Queen; The Promisse; Summertime Sadness (cover de Lana Del Rey); Hand of Sorrow; Sinéad (em formato acústico)  e What Have You Done, recebendo merecida adulação do animado público carioca. 


Within Temptation é uma banda que conquista o público em habitat natural: o palco. As canções se alinham como num sincronismo quântico; a energia da performance de cada integrante traz o nível emoção que cada música necessita e o espetáculo vocal proporcionado pela vocalista, Sharon den Adel, impressiona e faz crer que talento não está à venda em toda e qualquer esquina.
  
Nessa segunda passagem por terras cariocas, a banda trouxe, mais uma vez, um grande espetáculo, e para aqueles que são reticentes quanto ao poderia sonoro dos holandeses só lhes resta o lamento, visto que um show do Whitin Temptation é em uma palavra: sublime.

Nota: Fiz a matéria para o veículo Whiplash: http://whiplash.net/materias/shows/214782-withintemptation.html

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Mr. Big & Winger - Protagonistas da mesma Arte



A dramaturgia é a arte de representar emoções por meio de personagens, e avaliando-a de uma forma descomplicada, é composta, basicamente, do protagonista e coadjuvante, onde o primeiro possui um perfil melhor desenvolvido enquanto ao segundo é reservado um desenvolvimento, digamos, tímido.

Mas o que uma breve explicação sobre dramaturgia serve para a crítica do show das bandas Mr. Big e Winger? A resposta, caro leitor, é: tudo. E é indo contra conceitos da dramaturgia que as duas bandas atuaram como protagonistas na noite do último domingo (08), Fundição Progresso/RJ, colaborando para um saldo positivo a todos: público e bandas.

Com seu hard progressivo, o Winger abriu a noite com a novata “Midnight Driver of a Love Machine”, faixa do mais recente álbum de estúdio, ‘Better Days Comin’ (2014). Sempre comunicativo, o vocalista/baixista/tecladista Kip Winger é o tipo de anfitrião que deixa a visita à vontade e feliz, e fora dessa forma que o público cantou os versos da icônica, “Easy Come Easy Go”.


Levantar a bandeira da proeminência técnica dos músicos – do citado Kip Winger; Reb Beach (guitarra); Rod Morgenstein (bateria) e Donnie Smith (guitarra/baixo) – é chover no molhado, visto que o espólio de suas obras foi responsável em ajudar moldar um estilo musical e, principalmente, se perpetuar inexoravelmente ao tempo. 

Em sabida decisão, o repertório dos americanos foi balanceado com temas das mais novas safras como “Rat Race” e “Pull Me Under” às inveteradas do teor de “Miles Away”; “Madalaine”; “Seventeen” e “Can’t Get Enuff”. Como poucos, o Winger promete e entrega um espetáculo, seja para seu público cativo ou para os marinheiros de primeira viagem, que faz valer cada centavo gasto, ou melhor, investido. 

Deixar o domingo com aquela sensação e quê da felicidade de sexta a noite é uma tarefa que só bandas da classe do Mr. Big consegue. E como conseguiu, diga-se! Amparado pelo mais recente álbum de estúdio,‘...The Stories We Could Tell’, a banda americana presenteou o público carioca com uma apresentação pautada pelo brilhantismo individual de todos os músicos, repertório bem sacado e emoção de contar com a participação especialíssima do baterista original, Pat Torpey, – substituído por Matt Starr, completa a banda Eric Martin (vocal); Paul Gilbert (guitarra) e Billy Sheehan (baixo) –  afastado por questões médicas.

Canções do multi-platinado álbum ‘Lean Into It’ como de “Daddy, Brother”, “Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)”; “Take Cover”; “Wild World”; “Alive and Kickin’”; “Just Take My Heart”; “Green-Tinted Sixties Mind” e “To Be With You” formaram um mix interessante com temas da natureza de “Undertow”; “Take Cover”; “Gotta Love the Ride”; “Colorado Bulldog” e o cover do Priest,“Living After Midnight”. 

Como em raras exceções, o Mr. Big é uma banda a qual os predicados são aplicáveis a todos os músicos, não há holofote ostentando atenção a um determinado membro, todos são protagonistas e é exatamente isso que faz o primor e grandiosidade de sua arte.  

O saldo da noite foi amparado com sorrisos largos a quem se dispôs sair de casa e conferir dois grandes espetáculos de dois ilustres protagonistas, que rechaçam quaisquer maledicências do festivo, alegre e prazeroso hard rock. Voltem sempre, o público agradece!  

Nota: Fiz a matéria para o veículo Whiplash.net - http://whiplash.net/materias/shows/218515-mrbig.html